| Referência: |
VRVR0816 |
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| Designação: |
Santuário de Nossa Senhora de Lourdes |
| Tipologia: |
Santuário |
| Propriedade: |
Privada |
| Distrito: |
Vila Real |
| Concelho: |
Vila Real |
| Freguesia: |
Folhadela |
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| Uso Actual: |
Santuário religioso pertencente à diocese de Vila Real. |
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| Descrição |
Nos anos de 1908 e 1909 festejava-se, por todo o mundo católico, o 50. ° Aniversário das aparições de Lurdes (1858). Foi um ano de intensas peregrinações àquele local do sul de França, que era particularmente atractivo principalmente pelo seu cariz religioso e espiritual, mas também pelas suas grutas, pela sua água com fama de milagrosa e pela sua envolvência paisagística. Todo o mundo católico vivia uma relação muito intensa com Lurdes à semelhança do que acontecera, décadas mais tarde, com Fátima. É nesta altura que surge o Santuário de Nossa Senhora de Lurdes mediante o projecto concebido pelo Padre José Luís Zamith, capelão militar. Mais tarde o mesmo vem a ser implementado muito devido à acção do Monsenhor Jerónimo Amaral num espaço que não o originalmente idealizado, devido a contingências surgidas ao longo do processo de angariação de apoios para a sua construção. A inauguração, fez-se a 30 de Maio de 1909, embora a ideia era inaugurá-lo ainda no âmbito das comemorações do 50. ° Aniversario das aparições.
Apesar de o templo ter ficado inacabado, o espaço do Santuário era particularmente atraente, o que motivou a que se realizassem regularmente peregrinações, actos de culto e algumas cerimónias religiosas. Esta actividade manteve-se razoavelmente intensa até à década de sessenta do séc. XX, após o que foi rareando, até que hoje, praticamente não existe.
A imagem de Nossa Senhora de Lurdes encontra-se numa plataforma circular de com vista de 180º sobre Vila Real e sobre o sistema montanhoso Marão – Alvão. Encontra-se no local original da sua inauguração, em 1909, servindo de ponto focal para o principal acesso ao Santuário, no centro do planalto precedente da capela. A estátua em mármore apresenta as características próprias da representação iconográfica religiosa da Nossa Senhora de Lurdes, das quais se destacam a disposição das mãos, as rosas entre os dedos dos pés da Virgem e o Rosário pendente sobre o braço direito. O supedâneo de granito que suporta a imagem está rodeado por uma vedação em ferro fundido, com dois portões em lados opostos.O templo encontra-se num nível superior em relação à imagem, numa plataforma rectangular. A Capela foi inaugurada em 1924, mas o que chega aos nossos dias é unicamente o Altar-Mor e a Sacristia anexa, sendo que provavelmente nunca a sua construção evoluiu para além disso.
A estrutura murária é mista, constituída quer por granito, quer por xisto. As técnicas de construção utilizadas permitem que estes materiais funcionem simultaneamente como elementos estruturais e decorativos. A acção erosiva da água de escorrência ou as raízes de vegetação foram factores que mais contribuiram para a degradação e ruína de alguns muros, ou partes destes.
A propriedade encontra-se murada em todo o seu perímetro. No entanto, é possível aceder ao local através de quatro entradas. O acesso principal do Santuário é ladeado por Cupressus lusitanica, com falhas no compasso de plantação. Estima-se que tenham sido plantados na década de 60. Desde o incêndio de 17 de Setembro de 2001, houve uma proliferação de Acacia dealbata, que chegou a ser de 80% da área ocupada pela vegetação o que impedia a livre circulação e observação do Santuário.
O santuário encontra-se isolado num terreno situado numa encosta. A quando da sua construção existiam duas quintas a envolvê-lo: a Quinta de Vilalva e a Quinta dos Prados. Até hoje essa estrutura manteve-se praticamente inalterada. A Quinta de Vilalva tem mantido a sua função agrícola. Em 1970 com estabelecimento da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro deram-se as mudanças mais significativas em torno do Santuário da Nossa Senhora de Lurdes, sendo mais visíveis ao nível do aumento acentuado das acessibilidades e da expansão da malha urbana.
O Santuário de Nossa Senhora Lurdes é considerado património arquitectónico e o templo existente é considerado património edificado PCFA (Processo de classificação em fase de apreciação) e ZPML (Zona de protecção mínima legal) segundo o PDM de Vila Real.
Por iniciativa da diocese de Vila Real o espaço encontra-se a ser recuperado, sendo já evidentes os trabalhos de restauro da capela-mor, a desmatação de vegetação infestante e o levantamento dos muros em ruína.
[SC, 03/2008]
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Informação
Adicional: |
FUNDAÇÃO CALOUSTE GULBENKIAN, 1995, Trás-os-Montes e Alto Douro, I – Vila Real, Chaves e Barroso, 3ª edição do Guia de Portugal – Volume V, Tomo I, Fundação Calouste Gulbenkian.
FUNDAÇÃO CALOUSTE GULBENKIAN, 1994, Entre Douro e Minho, I – Douro Litoral, 3ª edição do Guia de Portugal – Volume IV, Tomo I, Fundação Calouste Gulbenkian.
TÓRO, Bandeira, 1943, Distrito de Vila Real, Tomo I- O Concelho de Vila Real, Publicação e Edição do Jornal “A Hora”.
Ficha "História ao Café" n.º 26, de 10 de Novembro de 1998 - Pasta de Curso e Batina de Monsenhor Jerónimo Amaral
Ficha "História ao Café" n.º 77, de 20 de Marco de 2001 - O Santuário de Nossa Senhora de Lurdes
Ficha "Histórias ao Café" n.º 80b
Ficha "Histórias ao Café" n.º 61
Semanário "A Voz de Trás-os-Montes". Ano I, n.º 24 de 23 de Maio de 1948
Semanário "A Voz de Trás-os-Montes". Ano I n.º 25 de 30 de Maio de 1948
Semanário "A Voz de Trás-os-Montes". Ano I, n.º 26 de 6 de Junho de 1948
Semanário "A Voz de Trás-os-Montes". Ano III, n.º 126 de 21 de Maio de 1950
Semanário "A Voz de Trás-os-Montes". Ano III, n.º 127 de 28 de Maio de 1950
Semanário "A Voz de Trás-os-Montes". Ano III, n.º 128 de 4 de Junho de 1950
Semanário "A Voz de Trás-os-Montes". Ano V, n.º 223 de 10 de Maio de 1952
Semanário "A Voz de Trás-os-Montes". Ano V, n.º 225 de 24 de Maio de 1952
Semanário "A Voz de Trás-os-Montes". Ano V, n.º 226 de 31 de Maio de 1952
Semanário "A Voz de Trás-os-Montes". Ano VI, n.º 271 de 16 de Maio de 1953
Semanário "A Voz de Trás-os-Montes". Ano VI, n.º 272 de 23 de Maio de 1953
Semanário "A Voz de Trás-os-Montes". Ano VI, n.º 273 de 30 de Maio de 1953
Semanário "A Voz de Trás-os-Montes". Ano VI, n.º 271 de 16 de Maio de 1953
Semanário "A Voz de Trás-os-Montes". Ano VIII, n.º 369 de 28 de Maio de 1955
Semanário "A Voz de Trás-os-Montes". Ano VIII, n.º 371 de 11 de Junho de 1955
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