| Identificação da Área de Estudo |
Para a definição dos limites precisos da área de estudo foram tomadas em consideração quer tradicionais unidades administrativas quer unidades de paisagem, já que os factores culturais, geográficos e paisagísticos são incontornáveis para a compreensão de qualquer território em estudo.
No entanto, e por razões de ordem prática, os limites administrativos foram o ponto de partida nessa definição. Considerou-se, numa primeira análise, que os distritos de Vila Real e Bragança deveriam constituir a base deste estudo por corresponderem, grosso modo, à região nordeste de Portugal continental. A Norte e a Este estes distritos fazem fronteira com a Galiza, Castela e Leão. A sul, o rio Douro constitui o limite dos dois distritos trasmontanos. Contudo, existe uma estreita relação e uma forte unidade entre as duas margens já que o rio forma a linha estruturante do todo cultural, visual e paisagístico deste imponente vale. Já Orlando Ribeiro, na sua obra de referência ‘Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico’ afirma, a este propósito, que “ (…) um rio profundo pode constituir para as populações humanas, um obstáculo ou um limite e, todavia, marcar, num traço da mesma natureza, apenas um acidente pouco importante.” Deste modo, considerou-se fundamental a inclusão dos concelhos da margem esquerda do rio Douro, na área correspondente aos dois distritos, essenciais para a compreensão da paisagem do vale do Douro e porque as casas, quintas, santuários ou miradouros situados em cada margem têm também como cenário, aspecto fundamental para a sua qualidade intrínseca, a paisagem da margem oposta. Deste modo foram incluídos concelhos dos distritos de Viseu e da Guarda. Foi excepção o concelho de Figueira de Castelo Rodrigo pois tem uma pequena relação física com o vale do Douro, confinando com o rio apenas numa curta extensão.
Questão idêntica foi suscitada na definição do limite Oeste da área de intervenção pois considerámos que, neste caso, a fronteira definida pelo distrito de Vila Real nem sempre reflecte uma diferenciação paisagística em relação aos distritos adjacentes. Por exemplo, Celorico de Basto e Cabeceiras de Basto, concelhos do distrito de Braga, não só se encontram no limiar da influência atlântica, como formam, a par com Ribeira de Pena e Mondim de Basto (distrito de Vila Real), a designada sub-região de Basto, uma unidade própria marcada pela presença do rio Tâmega e com significativas afinidades paisagísticas. Sobre o carácter uno e transmontano da Terra de Basto fala-nos Sant’Anna Dionísio (Guia de Portugal, vol. IV, Minho, 1965) evidenciando as afinidades geográficas e etnográficas da região: “A chamada Terra de Basto, genuíno átrio de Trás-os-Montes, é um quadrilátero montanhoso e austero (...) recortado por alguns vales verdejantes de recatada feição rústica, humedecidos por frescos regatos afluentes do rio Tâmega e pelo próprio Tâmega. (...) Dois dos concelhos de Basto - Cabeceiras e Celorico - situados na margem direita do Tâmega, consideram-se ainda dentro dos limites do velho Entre Douro e Minho; na margem esquerda, o concelho de Mondim de Basto diz-se já em Trás-os-Montes muito embora não se situe para lá do Marão, mas sim para cá e no sopé da serrania. Assim como a terra acusa já nítidas afinidades com o solo transmontano, a gente de Basto (...) apresenta claras expressões de consanguinidade com a gente (...) que vive do lado de lá da montanha.”
Também do ponto de vista da arte paisagista, quer em Celorico e Cabeceiras de Basto, quer em Mondim são já reconhecidos jardins privados notáveis, com características e tipologias formais idênticas e colecções significativas de plantas que justificam, por isso, a sua inclusão neste estudo. Sobre a identidade destes jardins de Basto afirma, na mesma publicação, Ilídio de Araújo: “A nenhum viajante apreciador das belezas da Arte e da Natureza passará despercebido, ao atravessar a região de Basto, o carácter peculiar dos jardins que frequentemente se deixam adivinhar por detrás dos muros (...)”.
Esta expansão da área de estudo para Oeste levou-nos ainda a incluir dois outros concelhos - Amarante e Baião. Amarante partilha a serra do Marão e o rio Tâmega e as características paisagísticas que nos levam a integrar as terras de Basto podem também ser encontradas neste concelho. Baião partilha a serra do Marão e o rio Douro, bem como apresenta uma paisagem em tudo muito semelhante à do ‘Baixo Corgo’, confinando com o concelho de Mesão Frio. Nas áreas mais montanhosas, as semelhanças de um e do outro lado do Marão são evidentes, quer nas culturas dominantes quer na forma de ocupação do território.
A área total equivale assim a, aproximadamente, 13000 km2, correspondendo a cerca de 14% do território nacional continental.
| Lista de Concelhos |