| Descrição |
O jardim da República situa-se em frente ao edifício da Câmara Municipal de Lamego e lateralmente à igreja do antigo Convento das Chagas, próximo do núcleo mais antigo da cidade, o bairro de Almacave.
O jardim foi construído num antigo espaço aberto da cidade, lugar de feiras e encontro, o Campo do Tablado, daí ainda hoje ser popularmente conhecido como Jardim do Campo. Diz no guia de Portugal que pertencia à antiga cerca das freiras e que se chamava campo das freiras. Conhecem-se referências à construção, em 1830, de uma fonte – a Fonte de Lamego - nesse campo e de, em 1895, deixar a designação de campo de Tablado para passar a ser denominado de Passeio da Rainha Regente D. Amélia. Esta alteração de nome estará, com certeza, ligada à arborização do campo e, eventualmente, a alguma forma de ajardinamento, à melhoria geral da qualidade do espaço e à alteração da sua função para espaço de recreio e passeio ao ar livre. Há notícias que referem as tardes passadas ao som da música do regimento de infantaria nº 9 e que atraía o público até ao jardim. No entanto, com a abertura da Avenida 5 de Outubro, e o alargamento do passeio para o lado do convento, foi necessário construir muros de suporte e a fonte foi deslocada para o local onde hoje se encontra, fora do jardim, na Rua 28 de Maio. À fonte foram acrescentadas, no patamar inferior, três taças originárias do extinto Convento das Chagas. Estas alterações ocorreram por volta de 1927 (a fonte tem uma inscrição com a data de 1928) pelo que o jardim, tal como hoje o conhecemos, terá tido origem nesta altura, ostentando uma inscrição de 1930 na escadaria de acesso pelo lado poente, em frente à fonte e com a qual forma um conjunto de interesse.
O Jardim desenvolve-se no terrapleno do antigo passeio, sustentado por muros em pedra, com excepção do limite junto ao edifício dos Paços do Concelho, sobre o qual assenta uma balaustrada que intercala com bancos em pedra revestidos, pelo lado interior, a azulejo. Nos cantos a balaustrada é substituída por uma pérgola criando pontos para apreciação da paisagem envolvente, hoje muito degradada, e actualmente sem amplitude visual. O jardim é organizado segundo um eixo central definido por um largo caminho que o divide, quase simetricamente, em dois grandes rectângulos. Este caminho central remata a sul, numa outra pérgola, de feição idêntica mas de maiores dimensões e também em articulação com a métrica da balaustrada. Os rectângulos dividem-se em canteiros menores que se organizam em torno de um elemento central - um lago oval, com estátua e repuxo - e elementos circulares provavelmente destinados a uma plantação especial. Um deles está ocupado com o coreto. Ainda de referir a existência de uma escultura, em bronze, do busto do poeta Fausto Guedes Teixeira, da autoria de Costa Mota Sobrinho, colocado no lado nascente, em frente aos paços do concelho.
O jardim terá perdido uma parte substancial da sua vegetação adulta, em particular em toda a metade nascente, sendo contudo ainda de destacar algumas tílias tomentosas de grande porte, que definiam uma alameda a norte do jardim, e as notáveis olaias cuja plantação enfatizava o desenho circular de todos os canteiros. Hoje só subsistem algumas o que dificulta a leitura do espaço e não favorece as condições microclimáticas do jardim.
[SC, 10/2007]
|