| Descrição |
É uma quinta virada a sudeste numa das encostas da freguesia de Loureiro do Peso da Régua. A quinta é estruturada em patamares, marcadamente duriense, e distingue-se pelos seus muros de xisto em grandes blocos maciços. Também os ornamentos são talhados em xisto, revelando uma grande perícia artística, sendo uma pedra difícil de trabalhar, em contraposição com o granito.
A entrada faz-se pela cota mais baixa da quinta, que se encontra de frente para uma estrada secundária que faz ligação ao Peso da Régua, na qual encosta também uma das fachadas da grande casa de Travassos, e mais à direita encontramos um grande buraco no qual foi retirado todo o xisto necessário à construção da quinta.
A escadaria que encontramos, à esquerda, pouco depois de entramos na propriedade faz a distribuição para os diferentes pontos da quinta votados ao recreio e envolvidos por áreas de produção de vinha. Ao subirmos a escadaria do lado direito acedemos a um primeiro patamar onde outrora seria um jardim, assim como no patamar que o antecede. No primeiro patamar encontramos ainda uma fonte incrustada no muro, com vestígios de reboco pintado a amarelo ocre, ornamentada por figuras zoomórficas.
Outros elementos dignos de destaque, são o lago das “Carrancas” onde outrora existiram, mas que no presente desapareceram. Também o miradouro numa cota já bem alta da quinta, alinha-se quase perfeitamente com o cume do monte do outro lado do vale. Finalmente é ainda de notar todo o trabalho em cantaria das fachadas de minas ou de pequenos recantos com tanques.
Todo o espaço, ainda que em avançado estado de abandono e degradação, preserva toda a sua integridade arquitectónica, muito devido à sua qualidade construtiva. O mesmo não se poderá dizer em relação à vegetação, pois aparentemente não é possível identificar espécies que ali terão sido dominantes.
A quinta e casa de Travassos toma lugar no percurso de vida de uma personalidade importe na região Alto Duriense, tendo sido nesta casa que D. Antónia Adelaide Ferreira, viveu a sua infância. É na casa de Travassos que ocorre um célebre episódio de tentativa de rapto de sua filha Maria de Assunção, pois o Duque de Saldanha que era na altura chefe do Governo queria casar o seu filho com ela, tinha esta apenas 11 anos, reconhecendo-lhe a sua grande riqueza, e é em 25 de Agosto de 1854, que o filho do duque apoiado pelo irmão de Maria de Assunção, tentam convencer D. Antónia na sua Quinta de Travassos para o efeito. Em 29 de Setembro do mesmo ano, já as duas instaladas em Lamego, repetem a cena, e D. Antónia vê-se obrigada a fugir com sua filha para Londres. Também seu filho António Bernardo Ferreira se casou na Capela da Quinta de Travassos.
[SB,3/2008] |